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Capítulo 4 - Dos primeiros 50 anos
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Capítulo 4

DOS PRIMEIROS 50 ANOS

Na primeira reunião de Diretoria, em 1º de abril de 1895, em uma das salas da Faculdade de Direito, foi possível observar que os presentes estavam motivados a fazer da Sociedade de Medicina um polo de debates da Medicina. Marcos Arruda, nesse dia, leu extenso trabalho sobre “aplicações da eletricidade nos batimentos da aorta abdominal, sempre com muito feliz resultado” (ata de 1º de abril de 1895). Outros temas também foram abordados, e Bettencourt Rodrigues, na ocasião, disse que “dentre os assuntos que melhor devem ocupar a atenção da sociedade, sem dúvida, são as afecções próprias mais comuns em São Paulo”.

Curioso notar que um dos temas que ocupou espaço, em várias reuniões ainda no século XIX, foi o “mal do engasgo” (disfagia espasmódica, megaesôfago dos dias atuais) –, desde a segunda reunião, em 15 de abril de 1895, em diante. Mas havia quem divergisse desse diagnóstico, pois:

sem prova clínica ou anatomopatológica estamos a perder tempo em discussões hipotéticas e estéreis. Parece antes que se trata de uma “velharia patológica” criadora de um respeito histórico digno de figurar nos arquivos da nossa sociedade, uma vez que ninguém mais confunde com as diversas perturbações do esôfago e do estômago, de causa puramente nervosa (disse Dr. Borges, na ata de 1º de junho de 1895).

Mas, o mal do engasgo permaneceu objeto de discussão por pelo menos mais uma década, quando a Sociedade de Medicina relatou o “bom resultado sobre um caso operado de mal do engasgo” (ata de 15 de outubro de 1924).

Nas primeiras duas décadas do século XIX, sucederam-se reuniões clínicas que tratavam das moléstias que assolavam São Paulo, as chamadas febres paulistas, a ancilostomose, a lepra e a tuberculose,

que precisam ser refreadas em sua marcha progressiva e avassaladora por medidas severas de repressão (ata da Sociedade de Medicina publicada nos Annaes Paulistas de Medicina e Cirurgia, agosto de 1913, ano 1, n. 1. p. 1).

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Reconstituição do hospital dos leprosos, final do século XIX

Fonte: Disponível em: <http://www.arquiamigos.org.br/info/info29/img/estudos07.jpg>. Acesso em: 28 de agosto de 2012

Nessa época, a Sociedade de Medicina convidava médicos para fazer palestras sobre os mais diversos temas: Ulysses Barbosa, da cidade de Santos, por exemplo, trouxe à reunião estudo sobre “A luta contra os mosquitos em Santos” (ata de 17 de novembro de 1924).

Interessante notar que no organograma da Sociedade de Medicina havia vários Presidentes de Seção: Medicina Geral, Cirurgia Geral, Medicina Especializada, Cirurgia Especializada, Ciências Aplicadas e Medicina Pública (1926), em que cada um promovia reu­niões nas quais eram tratados temas de sua área. Isso durou várias décadas, até que ocorreu, em 1961, reforma estatutária, que introduziu o Conselho Científico no lugar dos Presidentes de Seção.

É importante ressaltar que desde os primeiros anos da fundação eram discutidos os meios necessários para implantar a Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, o que de fato ocorreu em 1913. Seu criador, Arnaldo Vieira de Carvalho, foi presidente da Sociedade de Medicina (1906-1907) e também presidiu o Primeiro Congresso Médico Paulista, de 4 a 9 de dezembro de 1916, organizado pela Sociedade de Medicina, cujos temas oficiais foram as endemias e as epidemias em território paulista, bem como a técnica cirúrgica e os aspectos da higiene urbana.

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Faculdade de Medicina de São Paulo, busto de Arnaldo Vieira de Carvalho

Fonte: Disponível em: <http://www.imagens.usp.br/wp-content/uploads/2010/04/fm_1.jpg>. Acesso em: 28 de agosto de 2012

Em 15 de abril de 1920, durante a presidência de Luiz de Rezende Puech, foram aprovados o emblema e o selo da Sociedade, criados por Ramos de Azevedo e executados por Domiciano Rossi (analisados no Capítulo 12).

Como o número de membros da Sociedade era limitado, no início dos anos 1930, um grupo de eminentes médicos resolveu criar outra entidade, que fosse aberta e sem limite de sócios: nascia, em 29 de novembro de 1930, a Associação Paulista de Medicina (APM), que teve, como primeiro presidente, Domingos Rubião Alves Meira, membro da Sociedade de Medicina e Cirurgia, e seu presidente por duas vezes (1905-1906 e 1911-1912).

À época, a revista Annaes Paulista de Medicina passou a publicar as reuniões da APM (primeira publicação em 23 de fevereiro de 1931, “calculose hepática”, de Alípio Correa Netto e João Alves Meira, e “caso de ruptura incompleta da vesícula biliar”, Eurico Branco Ribeiro). A APM seria, rapidamente, uma das mais importantes entidades médicas do Brasil.

Na década de 1940, a Sociedade de Medicina, além dos temas científicos, dedicava-se a outros assuntos de interesse público, por exemplo, o problema da redução da gordura no leite. Nas palavras de Pompeu do Amaral:

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Emblema da Sociedade de Medicina

Fonte: Acervo do autor

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Sede atual da APM em 1951

Fonte: Acervo da APM

(...) é inconveniente consentir-se na redução do valor alimentício do leite, tolerando a baixa de seu teor de gorduras para 3%, conforme já permitem nossos regulamentos sanitários (ata da reunião de 15 de janeiro de 1942).

É preciso lembrar que a pasteurização nem sempre era bem vista, pois havia “autores estrangeiros que responsabilizam o leite pasteurizado pela incidência do raquitismo e do escorbuto” (idem).

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Cinco primeiras marcas de leite pasteurizado de São Paulo

Fonte: Disponível em: <http://www.leitebrasil.org.br/livro/imagens/garrafas.jpg>. Acesso em: 28 de agosto de 2012

Entre 1951 e 1952, a Sociedade de Medicina foi presidida pela primeira vez por uma mulher: Carmen Escobar Pires.






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