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Capítulo 6 - Das sedes
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Capítulo 6

Das sedes

1. Os primeiros anos

Ao nascer, a Sociedade de Medicina tinha como sede oficial a Rua São Bento, 23, a princípio no consultório de Sergio Meira, mais tarde, no mesmo prédio, em salas por ele alugadas. As sessões se realizavam na Faculdade de Direito, desde a fundação da Sociedade, até março de 1896.

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Mapa do Centro de São Paulo – Rua São Bento, n. 23 em 1895 (mapa de 1881)

Fonte: Disponível em: <http://www.arquiamigos.org.br/info/info20/img/1881-download.jpg>. Acesso em: 5 de setembro de 2012

Em agosto de 1895, um grupo de membros da Sociedade de Medicina organizou um posto médico em que cada um atendesse aos doentes de sua especialidade. Era a Policlínica. Em fevereiro de 1896, Carlos Botelho, vice-presi­dente da Sociedade de Medicina, ponderou em reunião de Diretoria que a Policlínica, então sob sua direção, fosse colocada à disposição da Sociedade de Medicina enquanto houvesse necessidade, para fins de ser condignamente instalada, o que foi prontamente aceito. A nova sede da Sociedade de Medicina, a qual perdurou até outubro de 1904, era um sobrado à Travessa da Sé, n. 15.

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Esquina do Largo da Sé com a Travessa da Sé

Fonte: Disponível em: <http://www.arquiamigos.org.br/info/info20/img/1881-download.jpg>. Acesso em: 5 de setembro de 2012

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Policlínica e Sociedade de Medicina de São Paulo, aquarela de José Wasth Rodrigues

Fonte: Acervo do autor

Nesse ano, a Policlínica resolveu fechar temporariamente sua sede. Em tais condições, a Sociedade de Medicina se transferiu temporariamente para a Santa Casa de Misericórdia, que “amável e generosamente colocou à sua disposição para as suas reu­niões o Salão Nobre do Hospital Geral” (PUECH, R. A Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. São Paulo: Casa Garraux, 1921, p. 13), na qual permaneceu até o início da década de 1910.

2. A sede própria que não vingou

A partir de 1910, a Sociedade de Medicina viu satisfeita a sua maior ambição, a de ter uma sede própria.

Até então, seu patrimônio era pequeno, basicamente provindo das anuidades dos membros, e suas despesas eram, relativamente, grandes: tinha que editar o boletim. Porém, em 1904, conseguiu-se uma subvenção anual do Congresso Legislativo do Estado, cuja quantia foi sendo elevada ano a ano, até que em 15 de abril de 1910, na gestão de Synésio Rangel Pestana, reuniu-se numerário suficiente para comprar um prédio, à Rua do Carmo, n. 6:

que é de construção antiga, está em boas condições de conservação e resistência. Este resultado representa os tenazes esforços das Diretorias que se têm precedido desde 1904, em que tiveram a primeira subvenção do Governo do Estado. Resta agora lançar a pedra fundamental do nosso edifício e iniciar-lhe a construção (Ata da Assembleia Geral extraordinária de 15 de abril de 1910).

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Rua do Carmo, n. 6, porta de entrada da antiga sede própria da Sociedade de Medicina

Fonte: Acervo do autor

Nessa “construção antiga em boas condições”, a Sociedade de Medicina passou a se reunir*. À época, a Policlínica comprou os terrenos n. 8 e n. 10 da mesma rua, contíguos à Sociedade de Medicina.

Em 12 de novembro de 1912, a Sociedade de Medicina, em reunião com a Policlínica, aprovou o acordo de unir seus bens materiais, fato que assentou as bases para uma construção conjunta.

Apesar de a Sociedade de Medicina ter entregue os seus bens, o tempo decorrido para o início dessa construção foi maior do que o esperado: entrava o ano de 1914 e as necessárias obras de adequação ainda não tinham começado. Chegou o ano de 1920 e nada ainda havia de feito. A sede social, tão esperada já para o ano de 1913, começava nova década e não passava de projeto. Como os contratos entre Policlínica e Sociedade de Medicina tinham cláusulas dúbias, firmou-se novo acordo, no qual “a Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo faz entrega à comunhão do seu terreno acima referido”, bem como a “Policlínica de São Paulo faz entrega à comunhão do seu terreno acima referido”, dividindo-se assim os espaços, quais seriam ocupados por uma, quais pela outra.

No entanto, já em junho de 1919, a Policlínica se encontrava em grandes dificuldades financeiras. Em resumo, a comunhão de bens existentes foi hipotecada, como consta da ata de 24 de setembro de 1924. Cinco anos depois, em 16 de dezembro de 1929, diz a ata o seguinte:

Como em 28 de janeiro de 1930 vencerá a hipoteca, a Policlínica solicita à Sociedade de Medicina dilação do prazo da hipoteca. Aberta a discussão pelos Membros da Comissão de Patrimônio, ficou deliberado fosse tomado em consideração o ofício da Policlínica em que o seu Presidente solicita ao Presidente da Sociedade de Medicina de São Paulo a renovação da dívida hipotecária para 11 de fevereiro de 1933.

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Ata de 1920

Fonte: Acervo do autor. Foto: Flávia Negrão

No início de 1939, as reuniões da Sociedade, que eram feitas na Rua do Carmo n. 6, cessaram, pela perda do imóvel para os credores (Caixa Econômica Federal). Os subsídios públicos do Estado à Sociedade de Medicina, que começaram em 1904 e cresceram paulatinamente até 1925, em 1931 são suspensos definitivamente.

3. As várias mudanças de sede

A sede voltou para a Santa Casa de Misericórdia, cuja primeira reunião foi em 14 de março de 1939. Lá, ficou agasalhada por mais de dois decênios, tornando-se, em 1959, sócia Honorária:

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Santa Casa, 1939

Fonte: Disponível em: <http://www.santacasasp.org.br/museu/im/quemsomos-2.jpg>. Acesso em: 29 de agosto de 2012

(...) à vista dos seus elevadíssimos méritos cívicos e pela honra insigne concedida a esta casa, realçando com sua presença o centenário da Beneficência, fato este que constitui página da mais alta relevância nos anais desta instituição, 2 de outubro de 1959.

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Placa comemorativa da Academia, 1959

Fonte: Acervo do autor

Na década de 1960, a sede da Academia foi transferida para o Instituto Oscar Freire, à Rua Teodoro Sampaio, 115, 2º andar, no qual ficou até 1986, quando passou a se reunir no Nacional Clube, do qual a Academia possuía um título. Lá, ficou até 1991 (desligou-se oficialmente do Nacional Clube em 20 de setembro de 1995), voltando ao Instituto Oscar Freire, até 28 de junho de 1993, quando a sede passou à Rua Martiniano de Carvalho, 995, até 1998, funcionando em um sobrado oferecido pelo Hospital Beneficência Portuguesa. Nessa época, já havia movimentação para a aquisição da sede própria.

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Instituto Oscar Freire, 1960

Fonte: Disponível em: <http://medicina.fm.usp.br/gdc/docs/iof_61_imagemhome1_.jpg>. Acesso em: 29 de agosto de 2012

4. A sede própria

Na gestão de Marisa Campos Moraes Amato (1997-1998), graças ao seu especial empenho e à colaboração espontânea de vários Acadêmicos, fez-se uma “vaquinha”, em que se arrecadou dinheiro suficiente para adquirir a sede própria, em 2 de junho de 1998, à Rua Joaquim Floriano, 820, conj. 182, bairro Itaim Bibi. Assim, a Academia mudou-se para sua sede própria. Excelente conjunto em prédio moderno, com segurança e estacionamento, porém, dispendioso quanto ao condomínio, em face da arrecadação das anuidades pagas pelos Membros.

Em 8 de abril de 2005, em reunião plena de Diretoria da Associação Paulista de Medicina (APM), presidida por José Luiz Gomes do Amaral, também Acadêmico, por sua proposição e de Guido Arturo Palomba, foi colocada em votação a possibilidade de a Academia de Medicina de São Paulo se instalar no prédio da APM, à Av. Brigadeiro Luís Antonio, 278 – 6º andar, em regime de comodato, o que foi aprovado por unanimidade, “tratando-se de um marco histórico” (a APM nascera no ventre da Academia, que retornava à APM), como consta da ata 58ª da APM (gestão 2002-2005).

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Sede atual

Fonte: Acervo do autor.

No dia seguinte, 9 de abril de 2005, José Luiz Gomes do Amaral apresentou a proposta à Assembleia Ordinária de Delegados da APM, a qual foi aprovada por aclamação.

À época, o 6º andar do prédio da APM estava em reforma. Assim que ficou pronto, em fevereiro de 2007, a Academia de Medicina de São Paulo se mudou para lá, à Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 278, 6º andar, em cujo local está muito bem instalada até presentemente. Quanto à sede própria, alugou-a para reforçar o caixa.

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Prédio no qual se encontra a sede própria

Fonte: Acervo da Academia de Medicina de São Paulo

* Até 1939, quando perdeu o imóvel.






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