Academia de Medicina de São Paulo – 130 Anos de História Gloriosa!
Introdução
A longeva Academia de Medicina de São Paulo comemora hoje, 7 de março de 2025, seu 130o aniversário de profícua existência, constituindo-se na quinta mais antiga entidade médica em atividade do Brasil e a mais vetusta do estado de São Paulo!
Surgida como Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo em 7 de março de 1895, tem atravessado incólume influências de três séculos. Contudo, para se ter uma melhor ideia dos briosos descendentes de Hipócrates (460 a.C. – 370 a.C.) que a fundaram, torna-se mister rememorar o cenário de antanho que compunha a cidade de São Paulo, no crepúsculo do século XIX e início do século XX.
No começo do século XIX, a cidade de São Paulo tinha 30 mil habitantes. Em 1890, a capital paulista contava com 65.000 habitantes, mas, devido ao grande número de imigrantes que recebeu, teve um crescimento vertiginoso, multiplicando sua população em apenas dez anos (1900), para 240.000 habitantes e, sem parar de crescer, se tornaria a maior cidade do hemisfério sul e uma das maiores do mundo!!!
A iluminação da cidade, desde 1863, era feita com lampiões de querosene, passando a gás, em 1872, constando, nessa ocasião, com 550 unidades. As incipientes tentativas de iluminação elétrica começaram em 1868, contudo, foram se firmando paulatinamente no final do século XIX, convivendo por décadas com os lampiões de gás.
O transporte coletivo era feito por bondes puxados por cavalos, sendo apenas, em 1900, inaugurados os bondes elétricos. Embora a telefonia tenha se iniciado em 1878, os primeiros assinantes desse meio de comunicação surgiram em 1884.
Vivia-se sob os bons eflúvios da Belle Époque (1871-1914), período áureo de paz e otimismo experienciado no Ocidente, particularmente na França e em outros países europeus, que foi possibilitado pelos avanços científicos e tecnológicos daquela contemporaneidade. Ademais, contribuíram nesse cenário, o progresso oriundo da Segunda Revolução Industrial[1], que provocou um expressivo êxodo rural, favorecendo o desenvolvimento de uma cultura urbana, cosmopolita e de entretenimento, fomentada pelos avanços dos meios de comunicação e locomoção, dentre os quais, o telégrafo, telefone, automóvel e locomotivas, assim como navios movidos a vapor.
Na arte, esse período foi caracterizado pelo movimento do Impressionismo, tendo como expoente o pintor Oscar-Claude Monet (1840-1826); e na arquitetura, bem como na arte decorativa, o que ficou conhecido como Art Noveau (Arte Nova), evidenciada por um estilo próprio e internacional de se expressar.
O Brasil e a cidade de São Paulo, dentre outras, também receberam fortes influências dessa revolução nos costumes, aqui também conhecida como Belle Époque Tropical ou Era Dourada, que se situou do fim do Império até a Semana de Arte Moderna (1870-1922), igualmente, um período marcado por uma cultura cosmopolita, com avanços tecnológicos e industriais, além de mudanças nas artes e na política brasileira.
Cronologia da Fundação
Os médicos que habitavam a capital paulista, no crepúsculo do século XIX, ansiavam pelo surgimento de uma entidade que os congregasse, onde se pudesse discutir as conquistas contemporâneas da medicina, compartilhar experiências, bem como que lutasse pelos seus propósitos.
A Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo teve, num espaço de apenas 14 dias, duas reuniões preparatórias para a sua fundação, realizadas no consultório de Sérgio Florentino de Paiva Meira (Figura 1), à Rua São Bento, no 23, respectivamente, em 24 de fevereiro de 1895, e em 10 de março de 1895, ambas as datas foram no domingo!
A data escolhida para a fundação foi o dia 7 de março de 1895, uma quinta-feira, quando Sérgio Florentino de Paiva Meira e Mathias de Vilhena Valladão (Figura 2), principais protagonistas, organizaram à noite, um banquete no vasto salão do Club Germania para 90 convidados, servido numa mesa em formato de “U”, ornada com elegância e bom gosto. Nessa ocasião foi ratificado e homenageado como primeiro presidente Luiz Pereira Barreto[1]((Figura 3), que além de ser um renomado médico, escritor, pensador, administrador e político, era um dos mais ilustres, queridos e respeitados líderes daquela época.
A instalação e posse da primeira diretoria da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo aconteceu em 15 de março de 1895, numa sexta-feira, às 19 horas, na renomada e vetusta Faculdade de Direito de São Paulo, localizada no Largo São Francisco, e criada em 11 de agosto de 1827[2]. Essa tradicional instituição de ensino fora gentilmente cedida graças à benevolência do jurista e professor Joaquim Ignácio Ramalho (1809-1902), mais conhecido por Barão de Ramalho, seu então diretor (1891-1902, Figura 4).

Nessa histórica efeméride presidida por Luiz Pereira Barreto estiveram presentes 24 dos 40 ilustres médicos fundadores, declinados a seguir, em ordem alfabética: Antônio Maria de Bettencourt-Rodrigues, Arnaldo Augusto Vieira de Carvalho, Ataliba Florence, Carlos Comenale, Claro Marcondes Homem de Mello, Coriolano Barreto de Burgos, Evaristo Bacellar, Evaristo Ferreira da Veiga, Felice Buscaglia, Francisco Pignatari, Gregório da Cunha Vasconcellos, Gualter Pereira, Jerônimo de Cunto, João Neave, José Luiz de Aragão Faria Rocha, Luiz Gonzaga de Amarante Cruz, Luiz Pereira Barreto, Marcos de Oliveira Arruda, Mathias de Vilhena Valladão, Pedro Marcondes Rezende, Rodolpho Margarido da Silva, Sérgio Florentino de Paiva Meira, Theodoro Reichert e Tibério Lopes de Almeida, além de outros médicos que ingressariam posteriormente no sodalício.
Naturalidades e Nacionalidades dos Fundadores
Infelizmente, não se tem informações completas de todos os fundadores da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, mas pelo que se sabe, já é suficiente para evidenciar que, no final do século XIX, entre os paulistas e, particularmente paulistanos, havia muitos imigrantes de dentro e fora do país, e vários deles de nível educacional superior. Ademais, já se delineava que a capital paulista, com vocação hospitaleira e cosmopolita, perdia aceleradamente suas características provincianas, dentre as quais a proteção e o favorecimento de oportunidades aos seus cidadãos autóctones – o que se evidencia ainda hoje em diversos municípios e capitais! –, passando a dar voz, vez e chances também a todos os que se destacavam, isso tudo, numa época em que sequer se conhecia ou se vislumbrava a palavra “meritocracia”.
Dentre os fundadores havia pelo menos dez nascidos fora do estado de São Paulo, a saber: Paraíba, Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro, além de outros oito estrangeiros, naturais de Cabo Verde, então território ultramarino de Portugal; Itália, Bélgica, Alemanha e Escócia. Dos paulistas, ao menos oito eram naturais do interior: Campinas, Piracicaba, Pindamonhangaba e Araraquara. Paulistanos comprovadamente foram três!
Graduação no Exterior e no Brasil
Dos 40 membros fundadores pôde-se encontrar o local de graduação de 26 deles, sendo que, desses, 14 concluíram o curso de medicina no exterior, e os outros 12, numa das duas Faculdades de Medicina então existentes no Brasil, respectivamente na Bahia e no Rio de Janeiro[1].
Vocação Humanitária
Um ano após a sua fundação, precisamente em 7 de março de 1896, foi inaugurada a Policlínica de São Paulo, onde diversos membros realizavam não somente atendimento gratuito aos mais carentes, mas também forneciam remédios sem ônus, segundo a prescrição realizada por eles.
Com o tempo, a Policlínica de São Paulo passou a contar com oito serviços de atendimento: 1. Moléstias internas em geral (clínica geral); 2. Doenças nervosas; 3. Cirurgia geral; 4. Vias urinárias; 5. Doenças dos olhos, ouvidos e garganta; 6. Doenças de pele; 7. Doenças de mulheres; e 8. Doenças de crianças.
A Policlínica de São Paulo prestou serviços por mais de 40 anos!
Sedes
A Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, hoje, Academia de Medicina de São Paulo, ao longo de seus 130 anos, teve nove diferentes locais como sede – três deles por duas vezes[1] e, dentre eles, com a devida ênfase, o edifício na Rua do Carmo, no 6, apogeu arquitetônico, onde permaneceu por 18 anos – de março de 1921 até março de 1939.
Emblema do Sodalício
Na presidência de Luiz Manuel de Rezende Puech (1920-1921, Figura 5), precisamente em 15 de abril de 1920 – 25 após a fundação do sodalício (!!!) –, foram aprovados o emblema (Figura 6) e o selo da entidade, criados por Francisco de Paula Ramos de Azevedo (1851-1928, Figura 7) e executados por Domiciano Rossi (1865-1920, Figura 8). O emblema atual (Figura 9) conserva os mesmos detalhes e simbologias do emblema original.
No emblema original foram contemplados os seguintes símbolos, de cima para baixo: Mão destra movente; Cabeça com a serpente enrolada; Aforismo latino ARS LONGA VITA BREVIS (A Arte é Longa, a Vida é Curta), que tem sua origem nos escritos do Pai da Medicina, Hipócrates (460 a.C. – 377 a.C.); Escudo de armas da cidade de São Paulo; e o fundo listrado em branco e preto, em alusão à bandeira paulista.

Medalha Acadêmica A medalha acadêmica (Figuras 10 e 11) surgiu há cerca de 80 anos e foi confeccionada por ocasião das comemorações do cinquentenário da entidade, em 7 de março de 1945. Seu anverso constava o emblema, que era circundado com os dizeres “Sociedade de Medicina e Cirurgia de S. Paulo – Brasil”. E no seu verso constava: “2o Congresso Médico Paulista – Comemoração do Cincoentenário de Sua Fundação – 7 de Março – 1895-1945”.

Mudança do Nome
A Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo teve seu nome mudado, após 59 anos, para Academia de Medicina de São Paulo, em Assembleia Geral realizada em 7 de março de 1954, na gestão de Eurico Branco Ribeiro (Figura 12).
Duração do Mandato Presidencial
- Mandato Anual
Durante 72 anos (!) os mandatos presidenciais foram anuais, e o último presidente nesse regime foi Durval Sarmento da Rosa Borges (1912-1999, Figura 13), 64o presidente (março de 1966 a março de 1967). A gestão seguinte, liderada por Virgílio Alves de Carvalho Pinto (1913-1983, Figura 14), tornando-se o 65o presidente foi a primeira a ter mandato bienal (março de 1967 a março de 1969).
A Pelerine
A pelerine, criada alguns anos após a última reforma estatutária de 12 de novembro de 2004, teve como idealizador e protagonista o acadêmico e ex-presidente Guido Arturo Palomba (2003-2004 e 2007-2008, Figura15). A pelerine é de cor preta, circundada por um bordado dourado, assim como também são dourados os cordões que servem para fixá-la no pescoço. O emblema da Academia de Medicina de São Paulo, em cores, encontra-se estampado no seu lado esquerdo, na altura do precórdio.
A pelerine foi usada pela primeira vez, solenemente, ainda durante o segundo mandato presidencial (2007-2008) de Guido Arturo Palomba e pelos acadêmicos dessa contemporaneidade.
Medalha Luiz Pereira Barreto
A Medalha Luiz Pereira Barreto (Figuras 16 e 17), cuja criação foi aprovada por unanimidade dos membros da diretoria 2023-2024, foi utilizada pela primeira vez, em 9 de novembro de 2023, pelo presidente Helio Begliomini (2023-2024, Figura 18). É única e representa o mandato presidencial, além de toda a história da entidade construída nas diretorias precedentes, nos ilustres membros fundadores, antecessores e contemporâneos do sodalício.


Galeria de Presidentes
Ao longo de 130 anos, a Academia de Medicina de São Paulo teve 89 presidentes, sucessores do condestável Luiz Pereira Barreto, fundador e primeiro presidente desse sodalício, que tem por epônimo seu nome.
Assim, a entidade foi dirigida por uma legião de esculápios probos, cultos, éticos, renomados, que não somente se destacaram e fizeram história na medicina paulista, mas vários deles também alcançaram renome nacional e internacional. E neste seleto rol faz-se mister reverenciar a título ilustrativo, alguns desses notáveis, que já não estão mais conosco: Carlos de Arruda Botelho, Augusto Miranda de Azevedo, Arnaldo Vieira de Carvalho, Arthur Vieira de Mendonça, Diogo de Faria, Domingos Rubião Meira, João Alves de Lima, Synesio Rangel Pestana, Antônio Cândido de Camargo, Celestino Bourroul, Ovídio Pires de Campos, José Ayres Netto, Luiz Manuel de Rezende Puech, Enjolras Vampré, Américo Brasiliense de A. M. Filho, José Pereira Gomes, Cantídio de Moura Campos, Antônio de Almeida Prado, Zeferino do Amaral, Antônio Carlos Pacheco e Silva, Flamínio Fávero, Jairo de Almeida Ramos, Franklin de Moura de Campos, Antônio Carlos da Gama Rodrigues, Alípio Corrêa Netto, João Alves Meira, Carmen Escobar Pires, Benedicto Augusto de Freitas Montenegro, Felício Cintra do Prado, Eurico Branco Ribeiro, Mário Ramos de Oliveira, Eurico da Silva Bastos, Adherbal Machado Tolosa, Carlos da Silva Lacaz, Plínio Bove, Waldyr da Silva Prado, Durval Sarmento da Rosa Borges, Virgílio Alves de Carvalho Pinto, Michel Abu-Jamra, Antônio Spina França Netto, Irany Novah de Moraes, Odon Ramos Maranhão, Fernando Proença de Gouvêa, José Rodrigues Louzã e Luiz Celso Mattosinho França, dentre tantos outros da elite médica paulista.
Essa augusta casa também orgulhosamente recepcionou, abrigou e perenizou Francisco Franco da Rocha (15/4/1895), Vital Brazil Mineiro da Campanha (1/5/1895)[1], Jeanne Françoise Joséphine Marie Rennotte (1895), Clemente Miguel da Cunha Ferreira (antes de 1897), Emílio Marcondes Ribas (1/8/1910), Antônio Carini (22/2/1911), Walter Seng (15/3/1911), Raul Carlos Briquet (1/5/1911), Geraldo Horácio de Paula Souza (1/12/1915), Alfonso Bovero (antes de 1918), Luciano Gualberto (12/2/1917), Carlos Justiniano Ribeiro das Chagas (antes de 1918), Manoel Augusto Pirajá da Silva (1919-1920), Ernesto de Souza Campos (15/5/1920), João Penido Burnier (antes de 1924), Octávio de Carvalho (1/7/1925), Manoel de Abreu (antes de 1926), Durval Bellegarde Marcondes (15/1/1931), Edmundo Vasconcelos (2/5/1931), Renato Locchi (1/7/1931), Antônio Prudente de Meireles de Morais (1/10/1937), Rodolpho de Freitas (16/8/1938), Walter Edgard Maffei (3/1/1938), Dante Pazzanese (16/11/1938), Euryclides de Jesus Zerbini (2/12/1941), Darcy Vilela Itiberê (1/10/1942), Augusto Amélio da Motta Pacheco (9/11/1944), Domingos Delascio (23/2/1956), Gil Soares Bairão (19/2/1964), Jerônymo Geraldo de Campos Freire (19/2/1964), Costabile Gallucci (15/12/1965), Roberto Rocha Brito (25/4/1967), Gilberto Menezes de Góes (23/26/1976), Daher Elias Cutait (31/3/1977), Nelson Rodrigues Netto Júnior (26/4/1984) e Adib Domingos Jatene (17/4/1991), dentre muitíssimos outros luminares.
Ademais, neste cenáculo bandeirante igualmente fizeram parte quatro Prêmios Nobel: Charles Robert Richet (antes de 1918), Marie Skłodowska Curie (antes de 1927), Antônio Caetano de Abreu Freire Egas Moniz (antes de 1930) e Alexander Fleming (1954), além de outros 14 relevantes médicosque foram indicados a esse renomado galardão.
Assim, dezenas e dezenas de outros membros, pela notoriedade que tiveram em suas contemporaneidades são também perenizados, dando nomes a ruas, avenidas, praças, escolas, hospitais, unidades de saúde, anfiteatros, museus, bibliotecas, prêmios, patronímicas de cadeiras de silogeus, centros acadêmicos e até a dois municípios: a Estância Turística de Pereira Barreto e a cidade de Franco da Rocha.
Esse imensurável cabedal curricular – ético, científico, histórico, educacional, cultural, intelectual e profissional –, dificilmente passível de se reunir em quaisquer entidades de classe, tem se constituído secularmente – sem dúvida alguma!!! – no maior patrimônio da insigne Academia de Medicina de São Paulo.
Na comemoração desses 130 anos de existência da veneranda Academia de Medicina de São Paulo, torna-se imprescindível nominar e enaltecer os confrades e confreiras com os quais estamos dividindo a honra e a responsabilidade dessa histórica efeméride. Relembrando o que disse em minha posse há dois anos, reconheço-me o menor dentre os participantes desta diretoria (2023-2024), pois conheço o admirável histórico profissional que cada um deles possui, e certamente, com este seleto time tenho estado muito fortalecido: Walter Manna Albertoni (vice-presidente); Sérgio Bortolai Libonati (secretário geral); Flávio Antonio Quilici (secretário adjunto); Paulo Manuel Pêgo-Fernandes (primeiro tesoureiro); Juarez Moraes de Avelar (segundo tesoureiro); Marilene Rezende Melo (diretora cultural); Edmund Chada Baracat (diretor de comunicação); Comissão de Patrimônio: Giovanni Guido Cerri, Guido Arturo Palomba (Diretor) e José Luiz Gomes de Amaral; e Conselho Científico: Linamara Rizzo Battistella (Diretora), Ramiro Colleoni Neto e Sônia Maria Rolim Rosa Lima.
Neste ensejo, resta-me agradecer penhoradamente ao professor doutor Celso Fernandes Campilongo, diretor da gloriosa Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, longeva e afamada instituição brasileira de ensino, que daqui a dois anos e meio completará seu segundo século de profícua existência! Não fosse a benevolência do professor doutor Celso Fernandes Campilongo, tal qual a generosa ajuda do seu predecessor, o eminente Barão de Ramalho, jamais poderíamos reviver com a mesma intensidade e glamour, a inefável alegria de estar no mesmo local, onde, no crepúsculo do século XIX, foi instalado nosso querido e venerando sodalício!
Que possamos todos nos orgulhar de participar de tão singular e histórica data!
Vida longa e imensurável gratidão à insigne Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo!
Vida longa à querida e augusta Academia de Medicina de São Paulo!
Muitíssimo obrigado!
Helio Begliomini
NOTAS:
Discurso pronunciado em 7 de março de 2025, por ocasião do Simpósio em comemoração solene dos 130 anos de existência da Academia de Medicina de São Paulo, realizado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo do Largo São Francisco, instituição onde o sodalício foi instalado como Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, em 15 de março de 1895.
Nota: Durante a preleção, que teve 49 dispositivos como ilustração, pela exigência do cumprimento de horário, foram suprimidos alguns pequenos trechos deste discurso.
A Segunda Revolução Industrial foi o período de avanço das inovações técnicas e produtivas no setor industrial que teve lugar entre a segunda metade do século XIX, a partir de 1850, aproximadamente, e o início do século XX. Teve início na Inglaterra, mas também foi observada em outros países, tais como Alemanha, Bélgica, Itália, Estados Unidos da América e Japão. Esse período caracterizou-se pela utilização da energia elétrica e do petróleo como fontes de energia, sendo o aço uma das principais matérias-primas. Tais mudanças provocaram não somente o aprimoramento de uma série de setores industriais, mas também o surgimento de novas indústrias, refletindo diretamente na economia, no ordenamento territorial e na vida cotidiana.
Luiz Pereira Barreto também foi sócio fundador do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo em 1o de novembro de 1894, e, em 17 de novembro de 1909, tornou-se membro fundador da cadeira no 3 da Academia Paulista de Letras, escolhendo por patrono, o filósofo e escritor Matias Aires Ramos da Silva de Eça (1705-1763).
A Faculdade de Direito de São Paulo foi criada juntamente com a Faculdade de Direito do Recife.
Tratava-se da Faculdade de Medicina e Farmácia do Rio de Janeiro e da Faculdade de Medicina e Farmácia da Bahia, implantadas em 1808. A Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo foi fundada em 19 de dezembro de 1912, tendo seu nome modificado em 1925, para Faculdade de Medicina de São Paulo e, em 1934, para Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
São eles: 1. Consultório de Sérgio Florentino de Paiva Meira, à Rua São Bento, no 23 (1895); 2. Salas alugadas por Sérgio Meira, no mesmo edifício, à Rua São Bento, no 23 (1895-1896), porém as sessões ocorreram até março de 1896, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco; 3. Policlínica de São Paulo, situada à Rua Travessa da Sé no 15, esquina com a Rua do Carmo (de março de 1896 a outubro de 1915); 4. Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (1904 ao início da década de 1910). 5. Rua do Carmo, no 6 (7 de março de 1921 até março de 1939); 6. Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (1939-1959); 7. Instituto Oscar Freire, à Rua Teodoro Sampaio, no 115, 2o andar (década de 1960 a 1986); 8. Nacional Clube (1986 a 1991); 9. Instituto Oscar Freire (1991 a 28 de junho de 1993); 10. Rua Martiniano de Carvalho, no 995, sobrado oferecido pelo Hospital Beneficência Portuguesa (1993-1998); 11. Rua Joaquim Floriano, no 820, conjunto 182 (1998-2007); e 12. Prédio da Associação Paulista de Medicina, à Avenida Brigadeiro Luís Antônio, no 278, em duas salas contíguas no 6o andar (de fevereiro de 2007 até a presente data).
As datas, entre parênteses, referem-se ao ingresso no sodalício quer como membro titular, honorário, correspondente nacional ou correspondente internacional.